O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, em cerimônia no Palácio do Planalto, o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais. A medida, segundo o próprio governo, deve beneficiar cerca de 16 milhões de brasileiros.

A sanção representa uma das maiores mudanças na tributação do trabalhador assalariado desde as Reformas dos anos 90 e marca um passo importante na política de desoneração gradual da renda do trabalho.


1. A lei foi sancionada: o que isso significa na prática?

Com a sanção presidencial, o projeto se transforma em lei em vigor, mas ainda depende do rito formal para pleno funcionamento:

O que já está concluído:

  • ✔️ O Presidente sancionou o projeto.
  • ✔️ O texto final foi aprovado pelo Congresso.
  • ✔️ A faixa de isenção passa oficialmente a ser até R$ 5 mil.

O que ainda precisa ocorrer:

  • Publicação no Diário Oficial da União (DOU) — é o passo que torna a lei válida oficialmente.
  • Regulamentação pela Receita Federal, que precisa:
    • atualizar sistemas de folha de pagamento,
    • publicar instruções normativas,
    • padronizar a retenção de IR na fonte.

Quando começa a valer?

A sanção estabelece que a nova isenção entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, aplicando-se aos rendimentos pagos a partir dessa data.

Ou seja: a mudança vale para salários recebidos em 2026, não para o IR que será declarado em 2025.


2. Situação Atual x Como Fica em 2026

A seguir, uma comparação detalhada entre as regras hoje (2024/2025) e como será após a nova lei.

Tabela atual (em vigor em 2024/2025)

  • Isenção: até R$ 2.259,20
  • Alíquotas progressivas: 7,5% a 27,5%
  • Dedução simplificada: R$ 528,00

Nova tabela sancionada (válida a partir de jan/2026)

  • Isenção: até R$ 5.000,00
  • Alíquotas reduzidas e reorganizadas para rendas até R$ 7.350
  • Mantém faixas mais altas para quem ganha acima disso, porém com cálculo diferente

3. Comparação prática: quanto paga hoje e quanto pagará em 2026?

➡ Quem ganha R$ 5.000

Hoje: paga IR (entre 7,5% e 15%, dependendo das deduções).
Em 2026: zerado — totalmente isento.

➡ Quem ganha R$ 6.000

Hoje: paga entre 15% e 22,5%.
Em 2026: cairá para alíquota reduzida, pois entra na faixa de transição até R$ 7.350.
Imposto muito menor que o atual.

➡ Quem ganha R$ 7.000

Hoje: paga entre 22,5% e 27,5%.
Em 2026: cai na última faixa de transição.
Redução moderada no imposto devido.

➡ Quem ganha R$ 10.000

Hoje: alíquota máxima de 27,5%, com retenção pesada.
Em 2026: continua no grupo de maior tributação — não será isento, mas uma pequena redução pode ocorrer dependendo do novo cálculo progressivo.


4. Quem precisa declarar IR? (Mesmo sendo isento na fonte)

Mesmo com a nova isenção, a declaração anual pode continuar obrigatória se a pessoa:

  • teve rendimentos isentos acima do limite anual,
  • teve movimentação financeira relevante,
  • recebeu rendimentos de outras fontes,
  • possui bens acima dos limites da Receita.

5. Declaração de bens: quais valores obrigam declarar imóveis e contas bancárias

📌 Imóveis

Devem ser declarados todos os imóveis cujo valor de aquisição seja superior a R$ 300 mil.
A regra não muda com a nova lei.

📌 Contas bancárias que precisam aparecer na declaração

  • Contas corrente com saldo acima de R$ 140,00 em 31/12
  • Contas poupança com qualquer valor acima de R$ 140,00
  • Investimentos financeiros (mesmo de baixo valor)
  • Criptomoedas acima de R$ 5 mil no total

6. Quem NÃO paga IR mesmo após a nova lei?

  • Quem ganha até R$ 5.000/mês (a partir de 2026)
  • Aposentados com benefício até R$ 5.000
  • Trabalhadores isentos por decisões judiciais específicas
  • Pessoas físicas apenas com rendimentos isentos (bolsas, FGTS, pensões isentas, etc.)

7. Impactos esperados no bolso do trabalhador

  • 💸 Aumento real da renda disponível
  • 📉 Redução da carga tributária para a classe média
  • 🧾 Simplificação da retenção na fonte
  • 🎯 Desoneração progressiva, favorecendo principalmente trabalhadores entre R$ 3 mil e R$ 7 mil

8. Conclusão

A sanção da nova lei representa uma mudança estrutural importante na tributação do trabalho no Brasil. Com a ampliação da faixa de isenção para R$ 5 mil, milhões de brasileiros terão mais renda líquida, menos burocracia e mais previsibilidade na declaração anual.

Agora, basta acompanhar:

  • a publicação no Diário Oficial,
  • as instruções da Receita Federal,
  • e a aplicação prática nas folhas de pagamento de 2026.

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